Resistir todos os dias n'<i>A Brasileira</i>

Image 8206

Os trabalhadores do café «A Brasileira do Chiado», ex-líbris patrimonial da cidade de Lisboa, constante em todos os roteiros turísticos, continuam a ser vítimas da «teimosia incompreensível da gerência», motivo que os levou a cumprirem um dia de greve, com vigília de duas horas e meia, na passada sexta-feira.

Para exigir respeito pelos seus direitos e pela sua dignidade, enquanto trabalhadores que apenas auferem o salário mínimo nacional, sensibilizaram a opinião pública e os clientes para a situação de «repressão, pressão psicológica, perseguição, intimidação» e incumprimento do Contrato Colectivo de Trabalho (CCT), quotidianamente.

À porta do estabelecimento, distribuíram um documento em português e inglês onde é enunciada a situação que se arrasta há dois anos e meio.

O dirigente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul, e trabalhador no estabelecimento, Amauri Rodriguez, lembrou ao Avante! que a Autoridade para as Condições do Trabalho levantou vários autos contra esta empresa e vários processos aguardam decisão judicial, mas «a repressão patronal continua a ocorrer todos os dias».

Numa reunião, em Março, a associação patronal, ARESP, tinha assumido, junto dos representantes sindicais, o compromisso de solucionar o problema, mas «não houve, até agora, qualquer consequência», explicou o representante sindical.

 

Gerência fora-da-lei

 

«Esta gerência não cumpre o CCT em vigor, no que respeita a salários, folgas, horários, trabalho suplementar, subsídio nocturno, feriados» e considera os dias de greve como faltas injustificadas, acusou o sindicato da CGTP-IN, num comunicado distribuído à imprensa, durante a acção, onde é reclamada a reposição imediata da legalidade.

Desde que os trabalhadores se sindicalizaram e se organizaram, acentuou-se a repressão patronal através de comportamentos «sem escrúpulos», recorrendo a «formas de pressão psicológica, insultos, ofensas, provocações e processos disciplinares infundados».

Na Assembleia da República, o único partido que tomou posição em defesa dos trabalhadores foi o PCP, «junto do Provedor de Justiça, da Procuradoria-Geral da República, da Câmara Municipal de Lisboa e do Ministério do Trabalho», assinala o sindicato.

Trabalhadores e sindicato garantem que «prosseguirão a luta até que as relações de trabalho correspondam ao prestígio deste estabelecimento».



Mais artigos de: Trabalhadores

Contra a liberalização dos despedimentos

Contra a facilitação e o embaratecimento dos despedimentos, mais de 500 dirigentes, delegados e activistas sindicais de todo o País manifestaram-se, no dia 28 de Julho, em Lisboa, e comprometeram-se a intensificar a luta.

Plano secreto no Oeste?

O encerramento das oficinas da Figueira da Foz da EMEF segue-se a alterações no ramal da Lousã e Cantanhede e ameaça o futuro da Linha do Oeste.

Mantém-se luta pelo emprego

Trabalhadoras e trabalhadores da cadeia de supermercados AC Santos não obtiveram do Ministério da Economia a garantia de medidas para defender os 150 postos de trabalho.

Crime na <i>Galp</i> Energia

Ao abdicar ontem da participação com direitos especiais que o Estado possuía na Galp Energia, o Governo comete «um crime de lesa-pátria», tão grave como «outros que hoje são lamentados com lágrimas de crocodilo por aqueles que...

Negociata no <i>BPN</i>

«Os trabalhadores não podem ser mais vítimas de tanta negociata», considerou o Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Financeira, num comunicado de dia 1, onde responsabiliza o actual e o anterior Governos por terem «mandado às urtigas» a «promessa sempre repetida de...

Urge agir na <i>Frazarte</i>

O drama das três dezenas de trabalhadores (na maioria, mulheres) da fábrica de faianças Frazarte, confrontados há dois meses com um despedimento colectivo ilegal, foi na segunda-feira transmitido à Câmara Municipal da Batalha, a quem a União dos...

<i>Mundet</i>

Uma reunião de antigos trabalhadores da Mundet foi convocada para amanhã, dia 5, às 18 horas, no refeitório da antiga fábrica de cortiça, no Seixal. O Sindicato da Construção, Madeiras, Mármores e Cortiça do Sul, da CGTP-IN, pretende promover uma...

ANDST celebra 35 anos

A Associação Nacional dos Deficientes Sinistrados no Trabalho assinalou no dia 24 de Julho os 35 anos da sua fundação. Sediada no Porto e com delegações em Lisboa e Coimbra, a ANDST «é, em Portugal, a única instituição...